Cabelo, pele e unhas

A segunda puberdade: um guia sobre a acne na transição hormonal

Justo quando você achava que as espinhas tinham ficado na adolescência, elas voltam, agora com um toque hormonal. Se de repente você está com espinhas profundas e doloridas (principalmente na linha da mandíbula, no queixo e no pescoço), você não está sozinha. Isso costuma ser resultado direto das mudanças da transição hormonal, que às vezes é chamada, não à toa, de “segunda puberdade”.

O que está acontecendo no seu corpo?

Tudo gira em torno da mudança na proporção entre o estrogênio e os andrógenos (como a testosterona). Quando os níveis de estrogênio caem, a testosterona ganha mais influência. Esse predomínio relativo dos andrógenos faz as glândulas sebáceas produzirem mais sebo, e um sebo mais espesso. Essa oleosidade pegajosa pode entupir os poros com facilidade, criando o ambiente perfeito para as bactérias se multiplicarem e para a formação de cistos inflamados.

Dicas práticas para lidar com a acne hormonal:

Simplifique os cuidados com a pele: tratamentos para acne agressivos e ressecantes, feitos para a pele adolescente, podem irritar sua pele, que agora está mais seca e sensível, e piorar a situação.

Experimente: troque para um sabonete de limpeza suave, que não faça espuma. Use um tratamento localizado com ácido salicílico ou com peróxido de benzoíla em baixa concentração só sobre as espinhas, não no rosto todo. E, acima de tudo, use um hidratante não comedogênico para manter a barreira da pele saudável.

Reduza laticínios e açúcar: para muitas mulheres, alimentos de alto índice glicêmico e laticínios são gatilhos importantes da acne hormonal.

Experimente: por 1 mês, tente eliminar ou reduzir bastante os laticínios e os alimentos açucarados e ultraprocessados, e observe como a pele reage.

Não esprema: é muito tentador, mas mexer nessas espinhas profundas e císticas só leva a inflamação mais para dentro, aumenta o risco de cicatrizes e faz com que elas demorem mais para sarar.

Predomínio de andrógenos e sebo: a ciência por trás de uma espinha

Por que essa etapa da vida traz erupções que parecem mais cistos profundos do que as espinhas da adolescência? A resposta está em como as glândulas sebáceas reagem às mudanças hormonais.

Quando o estrogênio diminui, a produção de oleosidade da pele não só continua, como fica mais espessa e aumenta, principalmente se os andrógenos (como a testosterona e a DHEA) estiverem relativamente altos. Isso cria o que os dermatologistas chamam de ambiente comedogênico, em que:

O sebo fica mais espesso e tem mais chance de entupir os poros.

As células da pele não descamam direito, o que obstrui os folículos.

A inflamação aumenta, impulsionada por respostas imunológicas estimuladas pelos hormônios.

Esses poros entupidos e inflamados viram terreno fértil para as bactérias que causam acne (como a C. acnes), que se alimentam da oleosidade e desencadeiam respostas imunológicas, resultando em cistos doloridos.

É por isso que a acne hormonal pode parecer “mais profunda”, mais persistente e mais lenta para sarar do que outros tipos. Controlar os andrógenos e cuidar da barreira da pele são fundamentais para acalmar a inflamação de dentro para fora.

Este artigo tem o objetivo de informar e ajudar você a cuidar da sua saúde, não de substituir uma orientação médica personalizada. Se você tiver alguma dúvida sobre a sua saúde, converse com seu profissional de saúde.

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