Mente
Mais do que uma simples tristeza: como lidar com a depressão na transição hormonal
Se você sente uma tristeza que não passa, perdeu o interesse por coisas que antes amava ou sente desesperança, é importante saber que isso não é “só uma fase ruim”. As mulheres têm um risco bem maior de ter depressão durante a transição hormonal, mesmo que nunca tenham tido antes. É uma condição médica real e merece um cuidado acolhedor e bem informado.
O que está acontecendo no seu corpo? As mudanças hormonais da transição hormonal, principalmente a queda do estrogênio, atrapalham a capacidade do seu cérebro de regular substâncias essenciais para o humor, como a serotonina e a dopamina. O estrogênio tem um papel fundamental para que esses neurotransmissores funcionem bem.
Quando o estrogênio fica instável, seu humor também pode ficar. Essa montanha-russa interna muitas vezes se soma a todas as pressões externas que as mulheres enfrentam nesta fase.
Passos práticos para cuidar do seu humor:
Busque ajuda profissional: isso vem em primeiro lugar. A depressão é uma condição médica, não uma falha pessoal. Não há vergonha nenhuma em buscar apoio.
Experimente: converse com seu profissional de saúde ou com um profissional de saúde mental. A terapia (como a terapia cognitivo-comportamental), os medicamentos (como os ISRS) ou uma combinação dos dois podem ser muito eficazes.
Movimente o corpo, mesmo sem vontade: o exercício tem efeitos antidepressivos potentes. Ele aumenta as endorfinas e pode ajudar a regular os neurotransmissores.
Experimente: comece aos poucos. Uma caminhada de 10 minutos ao ar livre já é uma grande vitória. O objetivo não é um treino exaustivo, e sim um movimento leve e constante.
Sinta o sol no rosto: a exposição à luz forte, principalmente pela manhã, ajuda a regular seu ritmo circadiano e já se mostrou capaz de ter um efeito positivo forte no humor.
Experimente: procure pegar 10 minutos de sol da manhã na primeira hora depois de acordar. Tome seu chá ou café da manhã ao ar livre ou perto de uma janela ensolarada.
A ativação comportamental: faça uma pequena coisa de que você goste
Quando você está deprimida, a motivação desaparece. Não é que você não queira se sentir melhor: é que começar parece impossível. A ativação comportamental inverte essa lógica: em vez de esperar a motivação para fazer algo, você faz algo pequeno para ganhar embalo.
Como fazer:
Faça uma lista: anote algumas atividades de que você normalmente gosta (até coisas pequenas, como fazer carinho no seu cachorro ou colocar uma música).
Escolha a mais fácil: comece pela que exigir menos esforço hoje.
Faça por 5 minutos: coloque um timer e faça essa pequena coisa por apenas 5 minutos. Não se preocupe se está “gostando” ou não. Só faça.
Essas pequenas vitórias ajudam a reconstruir o sistema de recompensa do seu cérebro. Mesmo que não pareça bom na hora, elas preparam o terreno para a mudança.
A queda da serotonina: como as oscilações do estrogênio afetam o humor
A serotonina costuma ser chamada de neurotransmissor do “bem-estar”. Ela é essencial para a sensação de bem-estar, calma e felicidade. Sua produção e seu funcionamento no cérebro estão intimamente ligados ao estrogênio.
O estrogênio funciona como um sistema de apoio para a serotonina de várias formas:
- Ajuda a aumentar a produção de serotonina.
- Aumenta o número de receptores de serotonina no cérebro, o que deixa seu cérebro mais sensível à serotonina que você tem.
- Ajuda a regular a recaptação da serotonina, o que permite que ela continue ativa no cérebro por mais tempo.
- Quando os níveis de estrogênio oscilam ou caem durante a transição hormonal, esse sistema pode ficar instável, o que leva a sintomas depressivos típicos, como:
- Humor baixo
- Ansiedade ou irritabilidade
- Perda de motivação ou de interesse pelas coisas de que você normalmente gosta
- Isso também explica por que se usam os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina).

