Mente
Reencontrar a si mesma: um guia para reconstruir sua autoestima
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Você se olha no espelho e mal reconhece a pessoa que está ali? Uma queda na autoestima durante a transição hormonal é mais comum do que parece, e profundamente humana.
O que está acontecendo no seu corpo (e na sua vida)? No lado físico, mudanças no peso, na pele e no cabelo podem fazer você se sentir desconectada do seu corpo. No emocional, as mudanças hormonais podem aumentar a ansiedade e a forma negativa como você fala consigo mesma. E no social, esta fase costuma coincidir com acontecimentos que abalam sua identidade: pais envelhecendo, filhos saindo de casa (ou voltando), ou mudanças na carreira ou no relacionamento. Sentir-se invisível em uma cultura que idolatra a juventude não ajuda. Não é de admirar que sua confiança fique abalada.
Dicas práticas para cuidar do seu amor-próprio:
Foque no que seu corpo consegue fazer: é fácil prestar atenção só na aparência do seu corpo. Mas e se você mudasse o foco para o que ele faz?
Experimente: comece uma rotina simples de treino de força. Levantar um peso maior ou segurar a prancha por mais tempo pode fazer você se sentir muito forte. Celebre a capacidade do seu corpo de se mover, de dar suporte e de sustentar você.
Monte seu “arquivo da confiança”: seu cérebro tem um viés de negatividade, ou seja, tende a se prender ao que deu errado. Por isso, vale a pena reunir de propósito as provas do seu valor.
Experimente: crie uma pasta no seu e-mail ou separe uma caixa no seu armário. Toda vez que alguém fizer um elogio, você alcançar uma meta ou criar algo de que se orgulhe, guarde. Quando as dúvidas sobre si mesma aparecerem, volte ao seu arquivo.
Estabeleça um pequeno limite e mantenha: a queda na autoestima muitas vezes está ligada a limites enfraquecidos. Quando você recupera seu tempo e sua energia, a confiança vem junto.
Experimente: diga “não” a uma coisa para a qual você não tem energia. Pode ser algo tão simples quanto: “Preciso de 20 minutos para mim depois do trabalho antes de fazer o jantar.”
O exercício da pausa de autocompaixão
A autocrítica é uma das formas mais rápidas de desgastar o amor-próprio. Esta prática simples e com respaldo científico, criada pela Dra. Kristin Neff, pode ajudar você a passar do autojulgamento para a gentileza consigo mesma em poucos minutos.
Experimente quando estiver sendo dura consigo mesma:
Reconheça o sofrimento (mindfulness ou atenção plena): coloque as mãos sobre o coração e diga a si mesma: “Este é um momento de sofrimento. Isto está difícil agora. Dói.” Esse gesto simples valida sua dor em vez de julgá-la.
Reconheça a humanidade compartilhada (conexão): diga a si mesma, com delicadeza: “O sofrimento faz parte da vida. Outras pessoas se sentem assim. Eu não estou sozinha.” Isso quebra a sensação de isolamento, a ideia de que só você tem defeitos ou está passando por dificuldades.
Ofereça gentileza a si mesma (autogentileza): pergunte-se: “O que eu preciso ouvir agora?” e diga a você mesma palavras de conforto, como diria a uma boa amiga.
Exemplos: “Que eu possa ser gentil comigo mesma.” “Que eu possa me aceitar exatamente como sou.” “Que eu possa me dar a compaixão de que preciso.”
A neurobiologia da sua crítica interior
Sabe aquela voz na sua cabeça dizendo que você não é boa o suficiente? Ela tem nome e uma base neurológica.
Conheça a rede de modo padrão (DMN, na sigla em inglês)
Essa rede cerebral entra em ação quando sua mente divaga: quando você pensa no passado, se preocupa com o futuro ou fica presa na autocrítica. Durante a transição hormonal, as mudanças hormonais podem aumentar o volume desse ciclo de pensamentos voltados para si mesma:
O estrogênio e a progesterona ajudam a regular o humor e a acalmar a reatividade
Quando esses hormônios diminuem, o cérebro fica mais sensível a ameaças e mais autocrítico
Pode ficar mais difícil acessar a parte do seu cérebro que diz: “Estou bem. Vamos olhar o quadro geral.”
Mas você não está presa aí.
Práticas como mindfulness, escrever em um diário, movimento e autocompaixão ajudam a reduzir a atividade da DMN. Essas práticas reconectam você com o momento presente, onde seu valor não está em questão.
